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Iniciativa apresentada na Greenzone integra sustentabilidade, inovação e inclusão social, com 45 moradias sustentáveis construídas em parceria com o Governo Federal

Por Kátia Aguiar (COHAB)
19/11/2025 20h42
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Projeto de casa ecológica (imagem eletrônica) do programa 'Sua Casa' da Companhia de Habitação do Pará (Cohab)

Projeto de casa ecológica (imagem eletrônica) do programa 'Sua Casa' da Companhia de Habitação do Pará (Cohab)

Foto: Divulgação

O Governo do Pará apresentou nesta quarta-feira (19), na Green Zone da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o projeto “Sua Casa COP30 Sustentável”, que está construindo moradias ecológicas na região das ilhas da capital paraense. A ação é coordenada pela Companhia de Habitação do Pará (Cohab) e tem como diferencial o uso de mais de 150 mil tijolos ecológicos produzidos a partir do caroço de açaí, aliando desenvolvimento social, inovação tecnológica e preservação ambiental.

O projeto viabiliza 45 moradias sustentáveis, parte delas no modelo tradicional de palafitas, típicas da região ribeirinha, e outras com alvenaria ecológica, somando soluções como captação de água da chuva, energia solar, horta vertical e tratamento de resíduos por biodigestores. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Cohab, e o Governo Federal, com execução em conjunto com a Cooperativa Mista da Ilha do Combu (Coopmic/CMP).

Cohab destaca que a unidade será construída com o tijojo ecológico, feito a partir de caroço de açaí

Cohab destaca que a unidade será construída com o tijojo ecológico, feito a partir de caroço de açaí

Foto: Divulgação

“É com essa iniciativa que estamos garantindo que ribeirinhos possam ter moradia digna e integrada ao meio ambiente, com a conservação dos recursos naturais e melhoria da qualidade de vida de quem mais precisa”, afirmou o diretor-presidente da Cohab, Manoel Pioneiro.

Sustentabilidade aplicada à habitação

As casas construídas com o tijolo ecológico de caroço de açaí representam uma alternativa sustentável que reduz impactos ambientais. A tecnologia, criada pelo doutor em Engenharia Civil Marco Oliveira, reaproveita resíduos do açaí, como caroço, fibra e cinzas, sem necessidade de queima, economizando recursos e promovendo conforto térmico e eficiência energética.

Foto: Divulgação

De acordo com Sérgio Soares, engenheiro civil da Cohab, o uso do tijolo ecológico reduz em até 30% o tempo de construção e gera economia de até 40% em materiais. “O tijolo ainda oferece isolamento térmico e acústico, capta dióxido de carbono e contribui para evitar problemas ambientais, como alagamentos e assoreamento do solo”, explicou.

A tecnologia também garante economia de até 90% no uso da água, 80% de cimento e 50% de ferro, além de eliminar o uso de madeira, reduzindo a geração de resíduos sólidos na obra.

Foto: Divulgação

Inovação com identidade amazônica

Para o diretor especial de Moradia da Cohab, Carlos Amílcar, o projeto representa um marco na construção de habitação social com foco em sustentabilidade na Amazônia.

“Alinhamos o projeto às diretrizes da COP, colocando a sustentabilidade como prioridade, mas sem abrir mão da inclusão social e da valorização da identidade regional”, ressaltou.

Já o projeto arquitetônico das palafitas segue o padrão do programa Minha Casa, Minha Vida, com dois quartos, sala, cozinha e soluções de captação e tratamento de água da chuva, além de energia solar. Essas unidades habitacionais, inéditas no Brasil segundo os organizadores, estão sendo construídas em formato modular com o anexo ecológico viabilizado pelo Governo do Estado.

Foto: Divulgação

“São as primeiras casas em palafita do Minha Casa, Minha Vida que recebem, com o apoio do Governo do Pará, um anexo em tijolo ecológico, com soluções sustentáveis para esgoto, energia e água potável, um desafio histórico na região das ilhas”, destacou Paulo Cohen, da Executiva Nacional dos Movimentos Populares.

Inclusão social e assistência técnica

As famílias contempladas contam com assistência técnica gratuita assegurada pela Lei Federal nº 11.888/2008, com o suporte de arquitetos, engenheiros e assistentes sociais durante todas as etapas do processo de construção e melhorias habitacionais.

Para Adriele Mota, moradora da Ilha do Combu, a entrega da nova moradia representa a realização de um sonho. “Tenho um filho e estou grávida de outro, que já nascerá na casa dele. Estou muito feliz e grata por ter minha casa”, celebrou.

O projeto-piloto está em andamento na região das ilhas de Belém, mas a expectativa é de expansão para outros municípios paraenses, promovendo moradia digna, respeito ao meio ambiente e fortalecimento das comunidades tradicionais como agentes ativos da preservação.